quarta-feira, 17 de março de 2010
by Imprensa

Há uma frequente indagação sobre como é ser negro em outros lugares, forma de perguntar, também, se isso é diferente de ser negro no Brasil. As peripécias da vida levaram-nos a viver em quatro continentes, Europa, Américas, África e Ásia, seja como quase transeunte, isto é, conferencista, seja como orador, na qualidade de professor e pesquisador. Desse modo, tivemos a experiência de ser negro em diversos países e de constatar algumas das manifestações dos choques culturais correspondentes. Cada uma dessas vivências foi diferente de qualquer outra, e todas elas diversas da própria experiência brasileira. As realidades não são as mesmas. Aqui, o fato de que o trabalho do negro tenha sido, desde os inícios da história econômica, essencial à manutenção do bem-estar das classes dominantes deu-lhe um papel central na gestação e perpetuação de uma ética conservadora e desigualitária. Os interesses cristalizados produziram convicções escravocratas arraigadas e mantêm estereótipos que ultrapassam os limites do simbólico e têm incidência sobre os demais aspectos das relações sociais. Por isso, talvez ironicamente, a ascensão, por menor que seja, dos negros na escala social sempre deu lugar a expressões veladas ou ostensivas de ressentimentos (paradoxalmente contra as vítimas). Ao mesmo tempo, a opinião pública foi, por cinco séculos, treinada para desdenhar e, mesmo, não tolerar manifestações de inconformidade, vistas como um injustificável complexo de inferioridade, já que o Brasil, segundo a doutrina oficial, jamais acolhera nenhuma forma de discriminação ou preconceito.


Milton Santos

http://www.ige.unicamp.br/~lmelgaco/santos.htm

terça-feira, 16 de março de 2010
by Imprensa

A Rádio das ONGs Angolanas é uma iniciativa da LADS, com o apoio tecnológico do Educasat (Brasil) e visa divulgar os vários projetos das ONGs Angolanas, facilitando a captação dos recursos, bem como a divulgação da cultura angolana. É uma rádio apolítica que visa o Crescimento e Desenvolvimento de Angola.

Atendimento Rádio das ONGs Angolanas: office@ladsangola.com

segunda-feira, 15 de março de 2010
by Imprensa

No dia 13 de janeiro, foi assinado o Acordo de Cooperação Técnica celebrado entre o Ministério da Cultura e a ABRASA (Associação Afro-Brasileira de Dança, Cultura e Arte) com vistas a implementar o Ponto de Cultura Internacional Brasileiro e Afro-Brasileiro na Áustria.

O projeto foi aprovado de forma inédita desde a criação do Programa Cultura Viva, pois o Ponto de Cultura não receberá qualquer incentivo financeiro do MinC., mas sim a chancela, tendo os custos da criação e manutenção realizado pelos parceiros locais. Apesar de não haver aporte de recursos ao projeto, o MinC supervisionará as atividades de execução, avaliando resultados, como qualquer outro Ponto de Cultura.

A Abrasa é uma Associação sem fins lucrativos, que tem como missão a divulgação da cultura afro-brasileira na Europa e a apresentação de diferentes culturas no Brasil. A associação foi fundada em Viena - Áustria, em outubro de 2004 ,com o objetivo de criar um diálogo intercultural e apoiar o processo de integração de pessoas da cultura afro-brasileira que moram na Europa.

A entidade disponibiliza cursos e oficinas nas áreas de dança, teatro, artesanato, folclore e culinária, todos baseados nas tradições afro-brasileiras.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
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No ano de 2001 a ONU instituiu o Ano Internacional do Voluntário com adesão de 132 países. A iniciativa pretendia reconhecer e incentivar o trabalho dos voluntários, aqueles que doam seu tempo e talento aos que precisam de ajuda, estimulando outras pessoas a fazerem o mesmo. Formou-se um Comitê Brasileiro para gerir o Ano Internacional do Voluntário no Brasil, coordenando atividades que buscavam sensibilizar pessoas e organizações sociais para o trabalho voluntário.

Nessa época a palavra voluntariado ecoava em vários cantos do Brasil de uma maneira muito discreta. Hoje, essa palavra se transformou na expressão de um desejo, o desejo de Fazer Parte, de transformar nossa realidade, de acolher nosso povo.

Quando iniciamos a jornada do Ano Internacional do Voluntário não podíamos imaginar que a causa ganharia a dimensão que tomou entre os brasileiros. O país respondeu com entusiasmo à mensagem de que a doação de tempo e talento em prol da comunidade pode promover uma verdadeira transformação de nossa realidade. A questão do trabalho solidário ganhou terreno nas empresas, conquistou o cidadão comum e está recrutando novos adeptos a cada dia nos mais distintos extratos da sociedade.

Definitivamente, estamos descobrindo nossa vocação social. Basta olhar para o mundo corporativo. Grande parte do contingente das companhias privadas que operam no país já está realizando algum trabalho junto a comunidades carentes, dedicando tempo e esforço de colaboradores a projetos sociais. Pesquisa do IPEA mostra que das 782 mil empresas privadas do país, 462 mil (59%) já realizam alguma atividade social.

Mas o exemplo não vem só das empresas. O cidadão comum, anônimo, está se envolvendo a cada dia mais com o trabalho voluntário. Segundo pesquisa da ONU, o número de voluntários no Brasil passou de 22 milhões, para 42 milhões após o Ano Internacional. Outro dado também chama atenção: uma pesquisa DataFolha revela que 83% dos brasileiros acham que o trabalho voluntário é muito importante para o país, isso comprova que demos um salto qualitativo. O brasileiro já vê no trabalho voluntário uma ferramenta estratégica na luta pela cidadania, e não é só o brasileiro que notou essa importante ferramenta de inclusão.

O Ano Internacional do Voluntário foi um marco no Brasil ao motivar a ação de milhões de brasileiros. O reconhecimento ao Brasil foi tamanho que em novembro de 2002, o Faça Parte – Instituto Brasil Voluntário, foi convidado a apresentar um relatório de avaliação do Ano Internacional do Voluntariado e uma proposta de continuidade para o mesmo em assembléia geral na ONU. O trabalho voluntário foi colocado como estratégia mundial para o desenvolvimento social. E o mais impressionante é que 132 países participaram do Ano Internacional do Voluntário e a resolução apresentada pelo Brasil foi endossada por 144 países.

A participação social é um talento natural do povo brasileiro, e nossa atuação no Ano Internacional do Voluntário comprovou isto. O Brasil foi considerado pela ONU o país que mais se destacou em 2001, um exemplo de solidariedade para o mundo: cerca de 20 milhões de voluntários foram mobilizados; milhares de empresas assumiram sua responsabilidade social, estimulando a participação de seus colaboradores; e houve uma multiplicação dos Centros de Voluntariado nas principais cidades do país, num movimento sem precedentes.

Acreditamos que o trabalho voluntário é fundamental para tornar o Brasil mais justo. Fortalecer a cultura e a prática do voluntariado significa promover a participação cidadã. Por meio dela conseguiremos fazer com que cada brasileiro sinta-se parte ativa na construção de uma nação socialmente mais justa.

Embora já formemos uma poderosa rede de colaboradores, ainda somos poucos para abraçar a tarefa que está aí. Há muito por fazer. O Ano Internacional do Voluntário não deve ser encarado como uma tarefa concluída. Estamos, na verdade, vivendo a década do voluntário. A conquista de novos adeptos, a profissionalização dos projetos sociais, a capacitação de líderes, a renovação do interesse daqueles que já põe a mão na massa em prol do social, e o fomento de caminhos alternativos se colocam como desafios permanentes. Temos que fazer a nossa parte na construção de um mundo mais justo socialmente.

* Milú Villela é Presidente do Centro de Voluntariado de São Paulo e do Faça Parte - Instituto Brasil Voluntário.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
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A Associação Cultural de Comunicação Comunitária Favela FM é uma entidade de caráter comunitário, sem fins lucrativos, que se estruturou a partir de iniciativa autônoma de moradores da vila Nossa Senhora de Fátima, localizada no Aglomerado da Serra na cidade de Belo Horizonte.

Sua origem remonta aos eventos de cunho musical e cultural que se realizavam como alternativa de lazer no final dos anos 70 nas ruas próximas à favela. A intenção de criar um espaço para divulgar música e cultura negra, falar da discriminação contra os moradores da favela e conscientizar os jovens da comunidade quanto aos problemas relacionados à violência e às drogas, agravados com a entrada do tráfico que então se instalava naquela local, levaram a que, algumas pessoas ligadas à organização de tais eventos, tomassem a iniciativa de montar também uma rádio.

Assim, entra no ar, no ano de 1981 a Rádio Favela, "a voz do morro". A Rádio começou a funcionar precariamente com um transmissor à bateria, um toca-discos a pilha (pois ainda não havia energia elétrica na favela) e equipamentos improvisados. Devido à forte repressão que existia no país, a rádio não podia permanecer em um mesmo local por muito tempo e mudava-se de barraco em barraco, ampliando gradativamente, o número de pessoas da própria comunidade com ela envolvidas.
Embora o funcionamento da Favela FM tenha sido marcado por interrupções não intencionais, devido à perseguições políticas e policiais (a rádio teve seus transmissores lacrados por três vezes), ou à situações de calamidade (o barraco onde funcionava o estúdio foi inundado na época das chuvas, no ano de 1995), a rádio persistiu e continua no ar.
Em 1996, a Rádio Favela, falando do alto de um aglomerado populacional onde moram atualmente mais de cento e sessenta mil habitantes, se institui legalmente como uma entidade cultural, reforça seu caráter comunitário e adquire um alvará de funcionamento fornecido pela Prefeitura.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
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sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
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Conferência de Copenhague (COP-15) - A 15.ª Conferência das Partes acontece entre os dias 7 e 18 de dezembro de 2009, em Copenhagen, Capital da Dinamarca. O encontro é considerado o mais importante da história recente dos acordos multilaterais ambientais pois tem por objetivo estabelecer o tratado que substituirá o Protocolo de Quioto, vigente de 2008 a 2012.
Uma atmosfera de expectativa envolve a COP-15, não só por sua importância, mas pelo contexto da discussão mundial sobre as mudanças climáticas. Aparecem aí questões como:
. o impasse entre países desenvolvidos e em desenvolvimento para se estabelecer metas de redução de emissões e as bases para um esforço global de mitigação e adaptação;
. os oito anos do governo Bush, que se recusou a participar das discussões e do esforço de combate á mudança do clima;
. a chegada de Barack Obama ao poder nos EUA, prometendo uma nova postura;
. os recentes estudos científicos, muitos deles respaldados pelo IPCC, e econômicos, com destaque para o Relatório Stern.

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